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Praia Brava - A conquista do paraíso PDF Imprimir E-mail
Aventuras - Trilhas
Escrito por Anderson Cunha   
Seg, 22 de Março de 2004 00:00
Índice do Artigo
Praia Brava - A conquista do paraíso
Praia Brava
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A trilha da Praia Brava fica em Boissucanga, litoral norte de São Paulo, e sua entrada se localiza no inicio da serra em direção a Maresias. O inicio da trilha é marcado por algumas casas, onde normalmente se vê estacionados Lands, Bands, e diversos veículos offroad que desistem de percorrer a trilha logo na primeira subida.

Mapa de localização geral. Porém a trilha existente atualmente não
segue para a direita, em direção a Maresias, como mostrado no mapa.

 

Logo no inicio, uma seqüência de erosões dificulta a subida. O trecho tem 150 metros e assusta logo de cara. A maioria não se arrisca.. 
 


Pela falta de aderência, principalmente com o piso molhado, é altamente recomendável ter bloqueio de diferencial traseiro para evitar problemas na subida. 
 


Nosso planejamento começou 3 meses antes, e tivemos duas tentativas mal sucedidas de fazer essa trilha, sendo a primeira interrompida pela queda de uma árvore respeitavelmente grande em cima do Engesa que nos acompanhava, e na segunda tentativa (num domingo) a chuva nos impediu de concluir a trilha em um dia apenas.

Primeira tentativa de vencer a trilha. Observe o Engesa com parabrisa quebrado e capô amassado, em decorrência da queda da arvore onde ancoramos o guincho.

Tivemos sorte nesse dia. O céu ensolarado nos deu a confiança necessária de que dessa vez a Praia Brava seria nossa. Para garantir a segurança e aproveitar melhor a aventura, estávamos preparados para acampar na praia, que é totalmente selvagem e desabitada, pois seu único acesso é essa trilha quase instransponível.

Vencemos a primeira subida com tranqüilidade, sem precisar utilizar os guinchos. Porém, ao ver o trabalho da suspensão e dos pneus tracionando no musgo verde das erosões, pudemos perceber o quanto os bloqueios de diferencial em ambos os jipes contribuíram para a subida, aliada ao baixo peso dos suzukis.

Vejam acima essa pedra... ao resvalar nela, o ShaZam perdeu o rumo e quis subir o barranco à esquerda... nada que uma ré não resolva... abaixo, o Simonrai trabalha firme na tração...

Para chegar ao topo do morro, passamos também por um trecho de pedras pontiagudas que precisam ser abordadas com cautela, evitando choques com as partes baixas do veiculo. Novamente, bloqueios auxiliam na abordagem segura, e os pneus com baixa calibragem agarram nas pedras, colocando os jipes cada vez mais acima do morro.

Lá em cima, deparamos com mais uma dificuldade : uma arvore caída no meio da trilha. Concluímos que a única alternativa seria corta-la antes de remove-la, pois a arvore tinha pelo menos 10 metros adentro da mata. Após várias bolhas na mão, conseguimos quebrar o restante da arvore com o guincho, patescando na arvore à frente para remove-la do caminho. Um trabalho conjunto de força bruta e raciocínio. Mais à frente, outra arvore que porém pôde ser removida com todos empurrando.

Primeiro obstáculo. Vamos ter que cortar, pois os 20m restantes da arvore está presa no meio da mata à direita...

Faltando pouco para terminar de cortar a arvore. Depois, usamos o guincho para remove-la do caminho e prosseguir a aventura. 

Em seguida, começava o trecho verdadeiramente difícil. Trava-se de uma valeta em "V" com 50 metros de distancia, em alto declive. Em ocasião anterior, esta descida nos fez desistir num dia de chuva, em virtude da altíssima probabilidade de tombamento e conseqüente impossibilidade total de resgate.

Eda tenta descer a trilha a pé, mas é difícil.. imagina de jipe ?

Mas num dia seco, recuperamos nossa confiança e iniciamos a descida, com o Simonrai ancorado no ShaZam, que por sua vez ficou ancorado na maior arvore que encontramos. Desce um palmo, solta o guincho, esterça pra cá, pra lá, vai, vem, vamos descendo com toda a cautela do mundo.

Acima, o Simonrai aguarda a preparação da ancoragem de segurança, que foi feita com o ShaZam amarrado em uma arvore e o guincho dando segurança para o Simonrai não rolar barranco abaixo

Entre um passo e outro, aproveitamos para passar em baixo do Simonrai só para brincar de túnel. Os pneus ficavam apoiados nas paredes do "V" apenas pelas beiradas, levando ao extremo sua resistência e aderência.

Repare que apenas a beirada dos pneus apóiam no barranco... o túnel
formado embaixo quase cabe um adulto.

Logo o Simonrai estaria no final da valeta, e chega a vez de descer o ShaZam, só que agora sem a segurança do guincho de apoio. "Vai ter que ser na raça" penso eu. Vamos com calma, e com a orientação do Simon chegamos emocionados ao final da valeta em "V", que agora é "V" de Vitória. Observamos a valeta, e nos indagamos como vamos fazer para subi-la... não vai ser fácil.

Mesmo quando a valeta em "V" termina, ainda temos dificuldade para sair dela. Abaixo o ShaZam passa com emoção, pois não há mais ancoragem de segurança... 

Alguns surfistas cruzam a trilha a pé, e o Simon brinca "Puxa, ainda tem louco que vem nessa trilha a pé ?"... observando os carros quase tombados na valeta, os surfistas acham graça da piada e perguntam incrédulos "Vocês vão até a praia ????"

Continuamos a trilha, agora mais confiantes pela conquista da temida valeta em "V", porém ainda mais cautelosos para atingir nosso objetivo em segurança.
 


Continuamos em frente, passando por uma valeta transversal e mais algumas erosões, que já não assustam tanto depois do sufoco inicial. Chegamos ao segundo mirante da trilha, onde podemos observar a magnífica Praia Brava onde os surfistas disputam as suas ferozes e belas ondas.

Logo adiante, uma erosão nos obriga a passar muito próximos ao barranco, que deve ter uns 60 metros de altura. É necessário descer do carro o tempo todo e auxiliar o outro a percorrer o caminho mais seguro, pois a diferença entre o caminho e o despenhadeiro é de apenas 1 palmo, as vezes nem isso. A trilha se estreita ainda mais nessa parte, e nos resta menos de 1 palmo de cada lado para o carro não tombar no barranco ou na erosão. Este trecho é o mais perigoso da trilha, pois em caso de chuva, um erro pode custar um grande acidente rolando barranco abaixo. É necessário atenção redobrada.
 


O mato à esquerda esconde o abismo... onde começa o mato, há 
menos de 1 palmo de chão para apoiar o carro...

Uma nova valeta em transversal ainda maior que a anterior nos obriga a uma passagem em câmera lenta, analisando atentamente a inclinação dos carros. Os bloqueios trabalham novamente quando duas rodas ficam no ar, fazendo a famosa "gangorra". A articulação da suspensão é total.



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Última atualização em Qui, 24 de Junho de 2010 21:46