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Todos nós já passamos por essa situação: passamos os últimos dias (ou semanas ou meses, dependendo da empreitada) nos preparando para o passeio ou expedição e parece que tudo vai acabar naquele banheiro do posto de gasolina de beira de estrada, ou no primeiro hotel da viagem. Para o viajante, normalmente fica difícil escapar dessa praga universal. E, dependendo do agente causador do problema, pode até ameaçar a vida. Então vale a pena discutirmos a prevenção da diarréia do viajante.
O praticante de esportes de aventura é sempre uma vítima potencial dessa "desgraça". Como o apreciador de esportes como o off-road sempre é aventureiro, indo aonde o turista convencional nunca vai, em lugares sem infra-estrutura, ele tem que tomar muito cuidado.
Em primeiro lugar vem a água para beber, tema que já foi amplamente discutido. Essa é a principal fonte de contaminação, portanto, não tome água sem os devidos cuidados, se não houver água mineral.
Em geral, bebidas alcoólicas são seguras para beber (segurança quanto à contaminação, mas lembre-se que bebidas alcoólicas embriagam!). Chá e café são seguros, desde que a água tenho sido fervida. Se estiver em dúvida quanto ao tempo de fervura, é melhor não beber.
Evite leite e derivados, como manteiga, iogurte, creme-de-leite, pois são fontes potenciais de contaminação. Um iogurte contaminado me deixou durante uma semana sem poder sair do quarto, na China.
Só utilize gelo se tiver certeza de que a água foi bem fervida antes de colocar na forma. A maioria das bactérias sobrevivem no gelo.
Quanto a frutas e verduras cruas, só coma as que foram bem lavadas e submersas em água tratado com cloro, iodo ou prata coloidal (veja aqui a matéria sobre a água) por pelo menos 1 hora. Ao contrário do que muitos acreditam, lavar com vinagre não oferece nenhuma proteção. As frutas também são seguras após descasca-las. Na dúvida prefira verduras cozidas, fritas ou refogadas, onde o calor elimina a maior parte dos microorganismos. Isso também vale para os cereais e legumes.
Outro problema é a carne, que estraga facilmente, principalmente nos meses mais quentes do ano. O melhor é certificar-se de que se trata de carne fresca, e se não tiver certeza é melhor virar vegetariano por alguns dias. Apesar de gostar bastante de carne, nunca me arrependi de utilizar esse expediente. Bastam duas horas fora da geladeira para a carne começar a apodrecer, tempo menor quanto mais calor estiver fazendo. E uma vez contaminada, não adianta cozinhas a carne, pois apesar de matar os microorganismos, as toxinas (substâncias tóxicas produzidas por bactérias) vão permanecer e provocar problemas. Peixe e frutos do mar estragam com facilidade ainda maior, portanto muito cuidado, pois intoxicação provocada por camarão ou ostra contaminada podem acabar com a viagem e às vezes até com o viajante. Ostras e mariscos alimentam-se de plâncton, portanto funcionam como "filtro", retendo bactérias e metais pesados (como o mercúrio), provocando intoxicações mesmo se consumidos frescos, se a água estiver contaminada. Fique atento para a "maré-vermelha", contaminação por algas que acontece principalmente por mudanças climáticas como o fenômeno "El Niño", e o consumo de mariscos e ostras pode ser fatal.
Finalmente lembre-se de fazer um exame de fezes ao retornar de zonas "suspeitas"
Abraços e boa viagem...
Paulo Luiz Farber é Vice-Presidente da Associação Brasileira de Medicina Complementar
http://sites.uol.com.br/pfarber
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