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Paranapiacaba PDF Imprimir E-mail
Escrito por Vicente Lamarca   
Qui, 29 de Abril de 2010 18:16

   Em 1860, os ingleses iniciavam os projetos para construção de uma ferrovia que ligasse o porto de Santos a Jundiaí, no interior paulista. Para isso, usaram o Sistema Funicular que tracionava os trens através de cabos de aço para transpor a Serra do Mar, no Alto da Serra. 

 

Esse sistema constava de cinco patamares com roldanas gigantescas que movimentavam os cabos e levavam os trens para cima e para baixo. O Barão de Mauá, Irineu Evangelista de Souza, foi o primeiro brasileiro, antes dessa época, a negociar com os empreendedores ingleses que tinham interesse no café brasileiro, que antes do trem era transportado no lombo de mulas.

 

Os ingleses criaram, no Alto da Serra, uma Vila Ferroviária muito bem organizada que veio a se chamar, mais tarde, Paranapiacaba ou, em Tupi, lugar de onde se avista o mar. A Vila foi dividida na Vila Velha, onde ficavam as oficinas e ferramentas; a Vila Nova, mais urbanizada, para acomodação dos engenheiros e ferroviários mais graduados; a Parte Alta ou Morro foi sendo cedida aos operários que se aposentavam e que ali ergueram a Capela do Bom Jesus e o cemitério ao lado dela.

A Ferrovia Inglesa prosperou por 90 anos, tempo de sua concessão sendo, a seguir, estatizada pela Rede Ferroviária Federal que tentou seguir os mesmos parâmetros, mas caiu em decadência porque o Governo Federal passou a dar preferência às estradas e caminhões. Com a falência da Rede, a Prefeitura de Santo André comprou da estatal falida a Vila Ferroviária de Paranapiacaba e todo seu entorno tendo as negociações iniciadas em Janeiro de 2001. A Prefeitura cria, nesse ano, a Subprefeitura de Paranapiacaba e Parque Andreense e delimita o Parque Natural Municipal Nascentes de Paranapiacaba, uma fatia da Mata Atlântica. A partir daí, Santo André tenta gerir um projeto turístico para a Vila criando eventos e restaurando monumentos, enquanto a ferrovia permanecia privatizada e administrada pela MRS, um consórcio de empresas, que deixa de transportar passageiros pela Serra e até Paranapiacaba fazendo-o só até Rio Grande da Serra, mas a carga continua sendo transportada, agora, através do sistema cremalheira.

Do Sistema Funicular restam apenas os museus que trazem em seu bojo um pouco da bonita história da Ferrovia Inglesa e que transformaram Paranapiacaba num centro mundial tombado de atrações históricas e turísticas.

Vicente Lamarca

Jornalista, Escritor e Poeta

Autor do livro "História de Parapiacaba"

 

Para adquirir o livro entre em contato com a ONG A Associação Ambientalista Mãe Natureza, no e-mail  Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. .

Ou telefone para: (11) 4121-1165

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Última atualização em Qui, 24 de Junho de 2010 22:23