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Quando meus filhos começaram a dirigir no trânsito com habilitação e tudo direitinho, sempre chamei a atenção deles para a responsabilidade redobrada que o condutor de um veículo desses assume ao trafegar por nossas ruas, cheias de carrinhos tão frágeis e motoristas nem sempre habilidosos. O poder de impacto de nossos jipes é algo a ser pensado quando forçamos uma ultrapassagem, ou deixamos para frear muito próximo do carro da frente.
Existe no entanto o inevitável como o que aconteceu com um amigo e companheiro de clube e trilhas. Ele vinha, de tarde, trafegando pelo túnel Rebouças em direção à Zona Sul quando lá na frente os carros começaram a frear. Do alto de sua Toyota Bandeirante equipada com um poderoso guincho elétrico Warn instalado na frente da grade entre as travessas do chassis, um parrudo quebra-mato e para dar mais cara de má à maldita, um rolo de corda e cabo de aço trançados entre pára-choque e quebra-mato, ele percebeu a situação e foi tirando o pé do acelerador.
Na sua frente, mas na fila do lado um Golzinho dirigido por uma mulher. De repente ela percebe que sua fila estava parando e sem fazer sinal entra na frente do Augusto e então percebe que aquela fila também estava parando e mete o pé no freio.
Sem espaço para frear tão rápido, não deu outra: a Band do nosso amigo encheu a traseira do Gol, transformando mala e banco de trás numa coisa só. A moça nervosíssima reconheceu o erro e pediu ao Augusto (esse era seu nome) que esperasse no local o marido dela chegar para ajudá-la a explicar a situação.
O pessoal de apoio do túnel, não havendo vítimas, desfez rapidamente o local para não prejudicar ainda mais o tráfego. O Gol foi arrastado até a casinha da administração e a Toyota, cujo pára-choque nem chegou a arranhar por causa das cordas, foi andando normalmente até lá.
O Augusto é um cara tranqüilo e quando o marido da dona chegou, esperou calmamente encostado na Band que ela toda nervosa contasse o sucedido. De vez em quando, ela procurava seu apoio com os olhos aflitos e ele assentia calmamente com a cabeça.
Terminada a explicação o marido veio até a Toyota, olhou, olhou, tornou a olhar para o Gol e perguntou: - É sua? Foi essa mesmo que fez aquele estrago no meu Gol?
- Sim!
- Quer vender???!!!
...
Em outra ocasião, eu estava parado no sinal da Gávea em direção à Lagoa quando ouvi um barulho de freada forte e logo em seguida, BUM!! Na minha traseira [eu estava na minha Band cuja traseira sempre tem um engate "G", por causa do towbar do nosso Jeep CJ-5, o Mike]. Desci preocupado e encontrei um Passat branco espetado no meu engate.
Desse Passat saltou uma senhora aflita que se apressou em dizer que estava distraída e que assumiria a responsabilidade por quaisquer danos ao meu jipe.
O Passat quebrou os faróis e a grade e, para piorar, o engate foi lá dentro e arrombou o radiador, cujo conteúdo já ia se espalhando pelo asfalto. Depois de verificar que salvo algumas marquinhas de tinta branca no pára-choque preto nada mais havia a reclamar, disse à senhora que eu a dispensava de qualquer indenização, mas que ela teria que se explicar com o guarda que já vinha se aproximando e providenciar um reboque já que seu carro, sem água, corria o risco de não conseguir chegar a uma oficina.
Há várias outras histórias desse tipo que não conto para não alongar mais o assunto, mas fica a advertência, especialmente para aqueles que estão pouco acostumados com esses jipões cada vez com motores muito possantes e capazes de produzir ainda mais estragos, prejuízos e eventualmente vítimas!
Até a próxima !
Alvaro Teixeira de Melo
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